Seis verificações que transformam o slogan AI First numa estratégia Value First
A tua estratégia “AI First” está, sem querer, a ajudar a concorrência?
Enquanto andas atrás de manchetes, eles estão a criar valor em silêncio.
Estamos agora a ver as consequências da primeira vaga de declarações “AI First”. Vistas à distância, não eram inovação. Eram um padrão previsível: hype seguido de recuo.
O erro de fundo foi tratar um slogan de marketing como estratégia.
Vê o caso da Duolingo. Depois do anúncio “AI First”, a reação foi rápida e teve impacto real. Os utilizadores relataram cancelamentos de subscrições em massa¹. O crescimento de utilizadores ativos diários abrandou e as ações caíram 14% numa única semana em junho de 2025⁴ ⁵.
Ou a Klarna. Anunciou com orgulho que a IA fazia o trabalho de 700 agentes⁸. Pouco depois, o CEO admitiu que tinham “ido longe demais”: a qualidade do serviço caiu e a empresa teve de voltar a contratar agentes humanos para reparar os danos⁹.
Não são apenas erros de comunicação. São falhas de processo, nascidas de uma compreensão superficial da tecnologia.
As empresas que estão de facto a avançar não são “AI First”.
São “Value First”.
Têm uma abordagem mais completa. Sem ser exaustiva, uma abordagem “Value-First” passa por fazer perguntas mais profundas antes de comprometer recursos. Eis algumas a considerar:
1. Rejeita o binário (adota o espectro):Não caias na armadilha do “automatizar ou não”. Mapeia cada tarefa na escala de 5 níveis de colaboração humano-IA. Forçar a automação total em tarefas que exigem julgamento humano é garantia de fracasso.
2. Pressupõe autonomia e gere a alavancagem:Vê qualquer IA autónoma como um ator estratégico, não como uma ferramenta passiva. Isto exige novos modelos de governação para gerir a alavancagem e o risco que lhe são inerentes.
3. Desenvolve sistemas conformes desde a conceção:A conformidade é uma escolha de arquitetura, não uma funcionalidade. Desenvolve sistemas em que os princípios do EU AI Act e do RGPD estão integrados desde o primeiro dia, para que cada ação conduzida por IA seja auditável e defensável.
- Analisa os efeitos de segunda ordem: vai além do ROI. Modela os efeitos negativos de segunda ordem antes do lançamento. Qual é o risco de perda de competências na tua equipa, de menos inovação ou de danos à marca?
5. Cria competência através da cocriação:Deixa de formar utilizadores passivos; cultiva cocriadores ativos. Avaliar as capacidades da IA não se aprende num deck de slides; forja-se ao moldar a ferramenta. Envolve a tua equipa na definição de objetivos e no teste dos limites, para teres uma equipa de donos e não apenas de operadores.
6. Evita fugas estratégicas de propriedade intelectual:Colar dados internos numa IA de terceiros é uma fuga estratégica de PI, porque esses dados podem ser usados para treinar o modelo do fornecedor. A tua vantagem competitiva passa a ser uma funcionalidade deles. Os teus contratos e a tua governação são fortes o suficiente para o impedir?
O objetivo não é ser “AI First”. O objetivo é ter uma estratégia sólida.Os vencedores não serão os que fazem mais barulho. Serão os que pensam em sistemas.
Esta lista não é exaustiva. Que verificação crítica acrescentarias?
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